Estádio do Bessa vai ter relvado sintético

23 10 2009

Estádio do BessaCerca de 6 anos depois da inauguração dos estádios do UEFA Euro 2004,  começam as primeiras remodelações. Será isto uma necessidade económica ou tecnológica?

Numa altura em que se começa realmente a ter a noção da capacidade que cada um dos 10 estádios do Euro tem para gerar receitas, que pelo menos possam cubrir os seus custos operacionais, muitas são as ideias que começam a surgir. Entre as mais “originais” a implusão em Aveiro do novo Estádio Municipal. Não sou contra, muito pelo contrário. Apenas não concordo com o “timming”. Bastava terem equacionado esta hipotese aquando do planeamente e desenho do projecto e talvez pudesse ter havido uma solução que permitisse Aveiro ter recebido o Euro 2004 com um estádio de 30000 lugares e hoje ter um estádio moderno com cerca de 10000 lugares. Leiria fez uma opção parcialmente correcta neste aspecto.

Mas a verdade é que Portugal passou 10 anos à frente em termo de desenvolvimento dos seus estádios. Se existiam 3 clubes que necessitavam de estádios grandes e modernos, capazes de receber provas europeias, a verdade é que outros clubes necessitavam apenas de estádios modernos e dimensionados à dimensão das cidades onde estão localizados. A não-existência de projectos desportivos capazes de gerar paixão nos adeptos, aliado à sobredimensionamento dos estádio cria um ciclo vicioso, que em alguns casos pode levar a situações como a do Boavista.

É verdade que não só as dificuldades financeiras provocadas pelos custos do Estádio estiveram na origem da derrocada do Boavista até aos escalões amadores, mas que ajudou muito ajudou.

Mas a verdade é que também começam a ser necessárias soluções tecnológicas que permitam um uso mais exaustivo das instalações. E nisso os últimos 6 anos têm trazido muitas novidades sobretudo em matéria de superficies de jogo.

Até as instituições mais conservadores do futebol, como a FIFA e UEFA, já reconheceram os beneficios dos relvados sintéticos de última geração. Como diz Luís Botas, responsável pela empresa que irá colocar o relvado no Estádio do Bessa, “o custo de manutenção de um relvado natural por um mês dá para manter um relvado sintético por um ano, aproximadamente”.

Agora resta saber se outros clubes e instituições públicas terão coragem de escolher esta via, sobretudo aqueles que mais dificuldades têm tido em manter os estádios abertos com as condições apresentadas durante o Euro 2004. Pois, porque eu não tenho dúvidas que nenhum estádio fechará. O que começará a acontecer é esses estádios começarem a ficar degradados ao ponto de começarem em certos casos impedir o normal funcionamento dos mesmos.

Nos próximos anos vamos perceber se esta parceria entre as empresa Italgreen e Global Stadium e o Boavista FC, durante os próximos 6 anos, permitirá conhecer novas soluções para os estádios do Euro 2004 ou se é necessário ir mais longe.